## Desembargadores afastados em MG embolsaram R$ 1,4 milhão em penduricalhos em um ano
Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), afastados de suas funções por suspeitas graves — um por abuso sexual e outro por suposto favorecimento à empresa 123 Milhas —, receberam juntos R$ 1,4 milhão em penduricalhos no último ano. O montante, pago mesmo durante o afastamento, acendeu alertas sobre brechas no sistema de remuneração do Judiciário mineiro e reacendeu o debate sobre privilégios e transparência no setor.

Os valores foram identificados em contracheques dos magistrados, que continuaram a embolsar verbas como auxílio-moradia, gratificações e outras vantagens típicas da carreira, mesmo sem exercerem atividades jurisdicionais. Um dos desembargadores foi afastado após denúncias de abuso sexual, enquanto o outro responde a investigações por supostamente ter beneficiado a 123 Milhas em decisões judiciais. A situação expõe uma aparente contradição: magistrados sob suspeita grave continuam a receber integralmente os chamados penduricalhos, que elevam os vencimentos muito além do teto constitucional.

O caso levanta pressão sobre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o próprio TJMG para revisar as regras de afastamento e remuneração. Críticos apontam que a manutenção dos penduricalhos durante o afastamento incentiva a morosidade processual e mina a confiança pública no Judiciário. A situação também coloca em xeque a eficácia dos mecanismos de controle interno, já que os valores foram pagos sem questionamento imediato. Enquanto as investigações avançam, o episódio reforça a percepção de que o sistema de privilégios no Judiciário brasileiro permanece resistente a reformas.
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- **Source**: Metrópoles
- **Sector**: The Vault
- **Tags**: desembargadores, penduricalhos, TJMG, abuso sexual, 123 Milhas
- **Credibility**: unverified
- **Published**: 2026-04-22 09:52:52
- **ID**: 75856
- **URL**: https://whisperx.ai/en/intel/75856